sexta-feira, 13 de maio de 2011

Renovação total nas comissões episcopais pastorais

Andréia Gripp, do Jornal O Testemunho de Fé

As eleições na CNBB foram encerradas nesta quinta-feira, dia 12 de maio, em Aparecida. Houve uma total renovação no quadro das presidências das comissões episcopais pastorais. Para Dom Orani João Tempesta, Arcebispo do Rio — que por dois mandatos consecutivos presidiu a Comissão Episcopal Pastoral para a Educação, Cultura e Comunicação —, este fato é altamente positivo.

— Sempre é bom ter ‘sangue novo’. Creio que os nossos irmãos eleitos vão dar um incremento a essas comissões. Dando continuidade aos vários trabalhos já iniciados, trarão novo vigor e respostas novas aos desafios que se apresentarão nesses próximos quatro anos, disse.

Dentro desse espírito, Dom Orani renunciou à possibilidade de ser eleito para a nova Comissão da Comunicação. Havia o desejo dos bispos de elegê-lo, já que sendo uma nova comissão haveria a possibilidade, mas o Arcebispo não aceitou, por considerar necessária uma renovação dos quadros também nesta área.

— Me disseram que, por ser uma nova comissão, poderia-se iniciar um novo mandato, pois ela estaria começando do ‘zero’, mas penso que é melhor que a Comissão tenha um novo presidente, com ideias novas, para levar adiante esse trabalho, afirmou.

Conheça os novos presidentes das Comissões:

1. Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada – eleito o Arcebispo de Palmas (TO), Dom Pedro Brito Guimarães. A eleição aconteceu no segundo escrutínio, quando Dom Pedro recebeu 162 votos. Na primeira votação recebeu 104, forçando um segundo escrutínio por não ter alcançado a maioria absoluta.

— Recebo essa indicação com um sentimento de muita confiança dos meus irmãos bispos. Trabalhar com vocações foi o que mais fiz na minha vida. Creio que uma das linhas fortes do nosso trabalho nos próximos quatro anos será a animação vocacional, o acompanhamento dos padres e da vida consagrada, disse Dom Pedro.

2. Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato – eleito Dom Severino Clasen, Bispo da diocese de Araçuaí. Foi membro da Comissão que elaborou as Diretrizes para a Evangelização aprovadas pelos Bispos nesta Assembleia Geral. Ele foi eleito com 205 votos do segundo escrutínio. É catarinense de Petrolândia, tem 56 anos. É franciscano, ordenado padre em 1982 e bispo em junho de 2005.

— Essa nomeação é mais um desafio, tanto na minha vida como no meu ministério episcopal. Vou procurar ser um pastor que cuida e zela pelas ovelhas. Não quero ser uma presença de cima para baixo, mas estar junto aos leigos para despertar neles a importância do laicato para a Igreja no Brasil, afirmou Dom Severino.

3. Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial – eleito o Bispo de Ponta Grossa (PR), Dom Sérgio Arthur Braschi.

— Recebi com muita alegria o desafio de coordenar toda a ação missionária da Igreja no Brasil. O primeiro desafio das novas diretrizes da ação evangelizadora da Igreja no Brasil é manter a Igreja em estado permanente de missão. A nossa comissão se encontra, então, muito contemplada por ela. Destaco a criação da Comissão da Juventude. Queremos, com a ação missionária, trabalhar em parceria com ela, para que assim a missão atinja o jovem e ele se torne missionário de outro jovem, pontuou Dom Sérgio.

4. Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética – eleito o Arcebispo de Pelotas (RS), Dom Jacinto Bergman, num único escrutínio, com 170 votos.

— Acolho com alegria e com o sentimento de muita responsabilidade. Nossa Comissão é responsável para que a Bíblia e a catequese tenham o seu lugar. A Bíblia é a alma de toda pastoral e a Catequese é fundamental, porque sem ela não há educação da fé”, pontuou Dom Jacinto.

5. Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé – o vencedor foi o Arcebispo de Teresina (PI), Dom Sérgio da Rocha, no primeiro escrutínio, com 198 votos.

— Creio que o grande desafio dessa comissão é justamente o conhecimento da fé, o permanecer na fé verdadeira e o transmitir essa fé. Doutrina não é fé morta, é fé viva. Quando falamos de doutrina estamos falando da fé enraizada na sagrada escritura e transmitida pela tradição da Igreja, falamos da fé celebrada, da fé vivida e testemunhada. Por isso é tão grande a nossa missão e responsabilidade, falou Dom Sérgio.

6. Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia – o novo presidente é o Bispo de Livramento de Nossa Senhora (BA), Dom Armando Bucciol. Ele foi escolhido no primeiro escrutínio, com 167 votos.

—Antes de tudo, eu penso que o nosso desafio é trabalhar o sentido da liturgia. Ajudar o povo a compreender o sentido verdadeiro da liturgia de um ponto de vista teológico e profundo. A referência aqui para mim é o Concílio Vaticano II, que apresenta a liturgia como aquele momento forte em que a comunidade louva a Deus e recebe dEle a força e a benção, destacou Dom Armando.

7. Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso – eleito o Bispo de Pesqueira (PE), Dom Francisco Biasin. Ele recebeu, em um único escrutínio, 177 votos, de 266 votantes. Dom Francisco é italiano de Arzercavalli-Pádua.

— Estou aberto a enfrentar os desafios do trabalho de nossa Comissão, que, para mim, entre os maiores, está a intolerância. Hoje existem grupos fundamentalistas muito fortes, fora e dentro do Brasil, que acirram os ânimos. Então, é tarefa nossa ajudar as pessoa primeiro a se tolerarem, em segundo lugar, a respeitarem as diferenças e, em terceiro, a valorizarem as diferenças, porque ser diferente não é ser melhor, nem pior, mas carregamos, cada um de nós, tradições diferentes, que têm um valor muito grande, e podemos aprender uns com os outros, porque tudo é reconduzido à pessoa de Jesus, ponderou Dom Francisco.

8. Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz – escolhido, com 168 votos, no segundo escrutínio, o Bispo de Ipameri (GO), Dom Guilherme Antonio Werlang.

— Em primeiro lugar, queremos continuar tudo o que as pastorais sociais têm feito especialmente em favor dos mais empobrecidos do nosso país, para que haja justiça para todos, para que a vida seja plena para todos. Que as pastorais sociais sejam o rosto da caridade da Igreja, visibilizada para a sociedade brasileira. Queremos continuar o método participativo, confirmar essa caminhada, falou Dom Guilherme.

9. Comissão Episcopal Pastoral para a Cultura e Educação – o Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte (MG), Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães, foi eleito com 176 votos, já no primeiro escrutínio. Da Comissão para a Educação e Cultura foi desmembrado o Setor de Comunicação Social, que se tornou uma Comissão própria.

— Recebo essa eleição com espírito de serviço. Assumo compreendendo que tudo o que sou e penso deve estar a serviço da Igreja. A minha tarefa será colocar a educação ‘à luz do sol’ na CNBB. Quero reforçar o papel fundamental da Associação Nacional de Educação Católica, que será um dos nossos braços fortes. Queremos mostrar a identidade da educação católica no país e as marcas culturais da educação católica na sociedade brasileira, contou Dom Joaquim.

10. Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família – eleito o Bispo de Camaçari (BA), Dom João Carlos Petrini, em primeiro escrutínio, com 164 votos dos 274 votantes. Dom Petrini já era membro da Comissão da atual gestão. Natural de Fermo, na Itália, o novo presidente da Comissão para a Vida e a Família tem 65 anos. Foi ordenado Padre em 1975 e Bispo em 2005. É doutor em Ciências Sociais. Logo após sua eleição, Dom João Carlos Petrini teve que viajar, não podendo dar entrevistas à imprensa.

11. Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude – eleito para a recém-criada Comissão, o atual responsável pelo Setor Juventude da CNBB, Dom Eduardo Pinheiro da Silva, que é bispo auxiliar de Campo Grande (MS).

— Um dos momentos mais bonitos e altos de nossa assembleia, quando depois de uma reflexão os bispos votaram a criação de uma Comissão específica para a juventude. É um sinal do amadurecimento do trabalho da CNBB com a juventude. Desta maneira poderemos atender com mais propriedade e intensidade as necessidades da juventude que está sob nossa responsabilidade, como também empolgá-la para o trabalho missionário na sociedade. Eu lutei para a existência dessa comissão, junto com os bispos referenciais para a juventude. Recebo essa eleição, então, com desejo de fazer a vontade de Deus, disse Dom Eduardo.

12. Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação – O Arcebispo de Campo Grande (MS), Dom Dimas Lara Barbosa é o presidente da recém-criada Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação Social. Ele foi eleito com 145 votos. A eleição só foi definida no terceiro escrutínio pelo fato de nenhum dos candidatos ter alcançado a maioria absoluta dos votos nas duas primeiras votações. Esta é uma nova Comissão, desmembrada da Educação e Cultura. Dom Dimas, cujo mandato para Secretário Geral da CNBB terminou nessa Assembleia, sucederá ao Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, que presidiu a Comissão por dois mandatos consecutivos.

— Vou tentar dar continuidade aos trabalhos iniciados. Além de toda a renovação tecnológica da CNBB, vejo como desafios, para os próximos quatro anos, o desenvolvimento de uma rede de videoconferência e o fortalecimento da Pastoral da Comunicação nos diversos regionais, e, dentro desse universo, a profissionalização das equipes. Temos que dar passos significativos na criação de uma cultura da comunicação e na criação de uma rede católica, pontuou Dom Dimas.

Delegado da CNBB junto ao Conselho Episcopal Latino-americano (Celam) - Dom Geraldo Lyrio Rocha foi eleito com 221 votos. Ele é Arcebispo de Mariana e encerrou nessa Assembleia o seu mandato de quatro anos à frente da CNBB. Ele foi eleito em um único escrutínio.

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