segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Seminaristas do Rio apaixonados por futebol!


temp_titlefutebol_no_Seminrio_21112014090501Seminaristas do Rio conciliam vocação com a paixão pelo futebol
Apaixonados pelo esporte, mais precisamente fãs de um bom futebol, um grupo de vocacionados do Seminário Arquidiocesano de São José, no Rio Comprido, organiza semanalmente partidas entre os seminaristas e, quando possível, assistem aos jogos dos grandes times do Rio.
Participar das aulas, orações, estudos e tarefas do próprio Seminário já são atividades que fazem parte da rotina de um jovem seminarista. Entretanto, eles sempre pleiteiam um tempo para as atividades físicas e sociais, que são frequentes no calendário da instituição.
O responsável e incentivador das partidas de futebol entre os seminaristas é o diácono Thiago Bartoli, prefeito da Teologia do Seminário. Botafoguense, o diácono Bartoli sempre gostou de jogar, e no seminário participa com frequência dos encontros.
“Vimos a necessidade de utilizar o esporte como um meio fraterno e de encontro ao próximo dentro da nossa comunidade. Isso permitiu uma maior socialização e abertura entre os seminaristas e a comunidade formadora, além do surgimento de uma grande amizade. Chega a ser engraçado quando eu faço uma falta ou sofro; sempre há uma manifestação de brincadeira de quem está dentro e fora de quadra”, contou.
Convocação dos craques
Oficialmente, as partidas de futebol acontecem nas terças e quintas-feiras durante as aulas de educação física. Porém, o time de jogadores do Seminário participa de um grupo no WhatsApp, por onde combinam as partidas nos horários vagos.
O criador do grupo também foi o diácono Bartoli, que contou ter tido essa iniciativa depois de ver muitos dos seminaristas desmotivados em praticar esportes.
“Faltava uma motivação neles. Quando convidava sempre ouvia: ‘Eu gosto de futebol, mas quem sabe outro dia’. Então, criei o grupo do WhatsApp para conversar e convocar o pessoal. Isso gerou bastante interesse e ânimo nos seminaristas, que se sentiram mais próximos”, explicou.
Normalmente, as partidas de futebol são encerradas com mais um momento de convivência, no qual os seminaristas partilham informações, trocam ideias, e degustam um lanche com pizza, sorvete ou cachorro-quente.
“Os jogos de futebol se tornaram momentos muito mais importantes do que um tempo de lazer e descontração. É a oportunidade de viver uma comunhão e criar vínculos com o próximo. É maravilhoso termos essa experiência jogando bola, e sempre depois do jogo tem uma confraternização em família com guloseimas”, disse o seminarista Railson da Silva Barboza, da filosofia II, que é vascaíno.
Partilha no campotemp_titlefutebol_no_Seminrio_3_21112014100608
“Ao passo que convivemos mais, os laços de confiança se fortalecem. Às vezes quando isolamos a bola no meio do jogo ou ela sai do campo, um diácono ou um seminarista vem a mim para partilhar sobre sua experiência de vocação”, relatou o diácono Bartoli.
O diácono também enfatizou que ao final das partidas ele e os seminaristas têm um momento de maior diálogo e esclarecimento de dúvidas, no qual “mostro para eles que existe o formador, que além de dar disciplina, também é amigo deles”.
“É muito bom jogar bola e viver em comunidade com os irmãos. O futebol nos ensina a valorizar as pequenas coisas na vida e vai fazer a diferença na caminhada vocacional mais para frente. Todas as vezes que durante um jogo acontece uma falta ou uma discussão, morre no campo. Não tem essa de mágoa”, disse o seminarista vascaíno Rafael Viana, da teologia II.
Partidas fraternas
Com o aumento na frequência das partidas, o time do Seminário começou a receber outros jogadores de diversas paróquias do Rio e também de escolas. Os jogos costumam acontecer aos domingos. O diácono Bartoli partilhou que quando os jovens chegam para “baterem uma bolinha” é notório o semblante de surpresa, pois não imaginam que, embora sejam seminaristas, são “felizes e bons de bola”.
“Durante os jogos, os visitantes percebem que somos um Seminário feliz, que mantém uma expressão de alegria por amar e servir a Cristo, mas também por apreciar futebol e valorizar a prática de esportes. Como vocacionados, queremos passar um testemunho de felicidade e disposição no coração dos seminaristas e dos visitantes. É natural que quem joga tem o desejo de ganhar. Mas nessas partidas o que importa é o testemunho de humanidade e de amor ao próximo, em especial pela juventude”, salientou Bartoli.
Um dos seminaristas que participa dos jogos é o vascaíno Renato Lima da Silva, da Comunidade Matusalém. Segundo ele, a iniciativa de jogos nos intervalos das atividades do Seminário fez relembrar os tempos de infância em que o esporte já era presente.
“Fora do Seminário a gente já jogava muita bola por hábito e lazer, mas ter jogos na programação da instituição ajuda a quebrar um pouco aquela visão preconceituosa de que o seminarista só reza, come e dorme. Aqui vivemos numa realidade de integração com as outras turmas e times”, pontuou.
Torcida do coração
As partidas de futebol, principalmente as que acontecem no período das Olimpíadas do Seminário, contam com a participação de uma grande torcida, formada por religiosas, funcionários do local e seminaristas que não jogam. Geralmente, as Olímpiadas acontecem em julho ou agosto, sendo encerradas com cerimônia de premiação em que há entrega de troféu e medalhas.
“Quando enfrentamos as equipes de outras paróquias, elas também trazem a sua torcida. E nós temos a nossa, que é muito animada. Todas as vezes que o time do Seminário jogou com uma equipe de fora, sempre ganhamos. Queremos jogar com outros grupos, e quem sabe alguém ganhe. Nosso time é muito bom”, afirmou com risos o diácono Bartoli.
Do campo para o altar
“A prática dos esportes na história do Seminário de São José vem de uma tradição bem antiga. Não só com o futebol, mas também com o vôlei e o handebol. Existem fotos de ex-seminaristas, hoje ordenados bispos e padres, que jogaram no time do São José, como por exemplo, Dom Pedro Cunha Cruz, bispo auxiliar do Rio”, explicou.

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