Apaixonados pelo esporte, mais
precisamente fãs de um bom futebol, um grupo de vocacionados do
Seminário Arquidiocesano de São José, no Rio Comprido, organiza
semanalmente partidas entre os seminaristas e, quando possível, assistem
aos jogos dos grandes times do Rio.
Participar das aulas, orações, estudos e
tarefas do próprio Seminário já são atividades que fazem parte da
rotina de um jovem seminarista. Entretanto, eles sempre pleiteiam um
tempo para as atividades físicas e sociais, que são frequentes no
calendário da instituição.
O responsável e incentivador das
partidas de futebol entre os seminaristas é o diácono Thiago Bartoli,
prefeito da Teologia do Seminário. Botafoguense, o diácono Bartoli
sempre gostou de jogar, e no seminário participa com frequência dos
encontros.
“Vimos a necessidade de utilizar o
esporte como um meio fraterno e de encontro ao próximo dentro da nossa
comunidade. Isso permitiu uma maior socialização e abertura entre os
seminaristas e a comunidade formadora, além do surgimento de uma grande
amizade. Chega a ser engraçado quando eu faço uma falta ou sofro; sempre
há uma manifestação de brincadeira de quem está dentro e fora de
quadra”, contou.
Convocação dos craques
Oficialmente, as partidas de futebol
acontecem nas terças e quintas-feiras durante as aulas de educação
física. Porém, o time de jogadores do Seminário participa de um grupo no
WhatsApp, por onde combinam as partidas nos horários vagos.
O criador do grupo também foi o diácono
Bartoli, que contou ter tido essa iniciativa depois de ver muitos dos
seminaristas desmotivados em praticar esportes.
“Faltava uma motivação neles. Quando
convidava sempre ouvia: ‘Eu gosto de futebol, mas quem sabe outro dia’.
Então, criei o grupo do WhatsApp para conversar e convocar o pessoal.
Isso gerou bastante interesse e ânimo nos seminaristas, que se sentiram
mais próximos”, explicou.
Normalmente, as partidas de futebol são
encerradas com mais um momento de convivência, no qual os seminaristas
partilham informações, trocam ideias, e degustam um lanche com pizza,
sorvete ou cachorro-quente.
“Os jogos de futebol se tornaram
momentos muito mais importantes do que um tempo de lazer e descontração.
É a oportunidade de viver uma comunhão e criar vínculos com o próximo. É
maravilhoso termos essa experiência jogando bola, e sempre depois do
jogo tem uma confraternização em família com guloseimas”, disse o
seminarista Railson da Silva Barboza, da filosofia II, que é vascaíno.
Partilha no campo
“Ao passo que convivemos mais, os laços
de confiança se fortalecem. Às vezes quando isolamos a bola no meio do
jogo ou ela sai do campo, um diácono ou um seminarista vem a mim para
partilhar sobre sua experiência de vocação”, relatou o diácono Bartoli.
O diácono também enfatizou que ao final
das partidas ele e os seminaristas têm um momento de maior diálogo e
esclarecimento de dúvidas, no qual “mostro para eles que existe o
formador, que além de dar disciplina, também é amigo deles”.
“É muito bom jogar bola e viver em
comunidade com os irmãos. O futebol nos ensina a valorizar as pequenas
coisas na vida e vai fazer a diferença na caminhada vocacional mais para
frente. Todas as vezes que durante um jogo acontece uma falta ou uma
discussão, morre no campo. Não tem essa de mágoa”, disse o seminarista
vascaíno Rafael Viana, da teologia II.
Partidas fraternas
Com o aumento na frequência das
partidas, o time do Seminário começou a receber outros jogadores de
diversas paróquias do Rio e também de escolas. Os jogos costumam
acontecer aos domingos. O diácono Bartoli partilhou que quando os jovens
chegam para “baterem uma bolinha” é notório o semblante de surpresa,
pois não imaginam que, embora sejam seminaristas, são “felizes e bons de
bola”.
“Durante os jogos, os visitantes
percebem que somos um Seminário feliz, que mantém uma expressão de
alegria por amar e servir a Cristo, mas também por apreciar futebol e
valorizar a prática de esportes. Como vocacionados, queremos passar um
testemunho de felicidade e disposição no coração dos seminaristas e dos
visitantes. É natural que quem joga tem o desejo de ganhar. Mas nessas
partidas o que importa é o testemunho de humanidade e de amor ao
próximo, em especial pela juventude”, salientou Bartoli.
Um dos seminaristas que participa dos
jogos é o vascaíno Renato Lima da Silva, da Comunidade Matusalém.
Segundo ele, a iniciativa de jogos nos intervalos das atividades do
Seminário fez relembrar os tempos de infância em que o esporte já era
presente.
“Fora do Seminário a gente já jogava
muita bola por hábito e lazer, mas ter jogos na programação da
instituição ajuda a quebrar um pouco aquela visão preconceituosa de que o
seminarista só reza, come e dorme. Aqui vivemos numa realidade de
integração com as outras turmas e times”, pontuou.
Torcida do coração
As partidas de futebol, principalmente
as que acontecem no período das Olimpíadas do Seminário, contam com a
participação de uma grande torcida, formada por religiosas, funcionários
do local e seminaristas que não jogam. Geralmente, as Olímpiadas
acontecem em julho ou agosto, sendo encerradas com cerimônia de
premiação em que há entrega de troféu e medalhas.
“Quando enfrentamos as equipes de outras
paróquias, elas também trazem a sua torcida. E nós temos a nossa, que é
muito animada. Todas as vezes que o time do Seminário jogou com uma
equipe de fora, sempre ganhamos. Queremos jogar com outros grupos, e
quem sabe alguém ganhe. Nosso time é muito bom”, afirmou com risos o
diácono Bartoli.
Do campo para o altar
“A prática dos esportes na história do
Seminário de São José vem de uma tradição bem antiga. Não só com o
futebol, mas também com o vôlei e o handebol. Existem fotos de
ex-seminaristas, hoje ordenados bispos e padres, que jogaram no time do
São José, como por exemplo, Dom Pedro Cunha Cruz, bispo auxiliar do
Rio”, explicou.
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