A ordenação foi realizada no dia 6 de dezembro, na Catedral de São Sebastião, no Centro, pela imposição das mãos do cardeal arcebispo Dom Orani João Tempesta.
A celebração contou com a presença de amigos e familiares dos novos ordenandos e, principalmente de fiéis das comunidades paroquiais de origem ou das que trabalharam durante o estágio pastoral.
De acordo com o rito, após serem apresentados pelo reitor do Seminário Arquidiocesano de São José, cônego Leandro Câmara, eles foram confirmados pela Igreja, com gestos de acolhida de todo o clero.
Como parte das comemorações dos 275 anos do Seminário de São José, a celebração também foi em ação de graças pelo jubileu dos 40 anos de sacerdócio de Dom Orani.
Futuros padres
Os diáconos transitórios, assim chamados, receberam o primeiro grau do Sacramento da Ordem em preparação para o sacerdócio ministerial. Dentro do processo de formação, o diaconato é praticamente a última etapa para a ordenação, que acontece após a admissão às ordens sacras. Além dos três anos de filosofia e da recepção dos ministérios de acolitato e leitorato, em geral, estão cursando ou concluindo o quarto ano de teologia.
“Quando fui ordenado senti que foi uma confirmação de Deus para minha vocação. Há oito anos esperava e me preparava para esse sim definitivo dado pela Igreja. Espero que através do meu diaconato eu possa servir à Igreja arquidiocesana, dando o que tenho de melhor, que é a minha vocação”, destacou o diácono Bruno Gomes Borba.
“É uma forma de perceber como Deus intervém em nossas vidas através das pequenas coisas. O pedido e aceitação da ordenação são uma alegria porque são demonstrações concretas do amor de Deus em nossas vidas”, afirmou o diácono Jefry Roger Rivas Arancibia.
“Ter a oportunidade de ministrar os sacramentos do Batismo e do Matrimônio e dar a bênção com o Santíssimo Sacramento são exercícios do diaconato que me deixam emocionado. Só o fato de poder tornar uma criatura em filho de Deus através do Batismo para mim é algo sensacional”, afirmou o diácono Gabriel de Moraes Coelho, contando que ficou ansioso porque foi o último a receber a resposta da carta que fez pedindo a ordenação. “É sempre emocionante receber o sim daquilo que você tanto deseja. Mas mexe muito comigo também a resposta da comunidade a essa confirmação. Alguns disseram que para eles eu já era um diácono”, contou.
Vocação para o serviço
Instituído por Dom Eugenio de Araujo Sales, em 1983, o diaconato permanente tem sido uma presença significativa na vida da arquidiocese no âmbito do serviço à caridade, da palavra e da liturgia.
Os 16 novos ordenandos, formados na Escola Diaconal Santo Efrém, agora se juntam aos 116 existentes, entre celibatários e casados, de diversas profissões, e provenientes de todos os cantos da arquidiocese.
Depois do tempo de formação e da experiência da prática do serviço diaconal através de estágios em paróquias diferentes das que atuam, os ordenados ficaram emocionados ao receberem a confirmação da Igreja o dom do Espírito Santo para o exercício do ministério.
“Eu nunca vou esquecer a imposição das mãos do cardeal, a prostração diante dele. São momentos muito emocionantes que fazem com que revivamos. Me sinto como se estivesse nascendo de novo, com uma missão que Deus determinou para mim. É uma emoção que só de falar a voz fica embargada e o coração fica apertado e bate mais forte”, contou o diácono Custódio de Mello, da Paróquia São Francisco de Paula, na Barra da Tijuca.
Segundo o diácono Jorge Alex da Cruz, o momento mais emocionante aconteceu antes do início da celebração, quando estavam na Capela do Santíssimo em oração.
“Quando vi as pessoas chegando foi inexplicável, porque todo o povo de Deus é convocado para a celebração. Quando estamos na escola diaconal pensamos que somos alunos da escola, mas depois que passamos a atuar nas paróquias vemos o que realmente é o diaconato. Eu deixei de ser o Jorge Alex, da Paróquia de São Brás, e passei a ser o diácono da Igreja, a serviço do arcebispo. Aonde ele mandar, eu irei”, disse.
Depois de formados, os diáconos são geralmente provisionados nas paróquias e, em atividades especiais, de acordo com a necessidade da Igreja. Entre os novos ordenandos, alguns estarão desempenhando o ministério na área da caridade social.
“Eu tenho uma ideia perfeita do que vai ser minha vida daqui em diante. Deus me mostrou onde está minha diaconia. Fiz um trabalho, na época da escola, sobre a vocação, e foi justamente quando Deus me apontou que minha diaconia está entre os pobres que eu atendo, nas comunidades carentes onde que trabalho, junto às prostitutas, excluídas, com quem eu trabalho, não só fazendo atendimento médico, porque sou médico, mas principalmente levando a Palavra de Deus”, explicou o diácono Custódio, afirmando que mesmo com as dúvidas que surgiram ao longo do tempo de preparação, seguiu adiante e não se abalou. “A minha fé e a certeza do meu propósito sempre permaneceram firmes”, concluiu.
Na homilia, Dom Orani recordou que a Palavra de Deus iluminava o bonito e importante momento da caminhada da arquidiocese. Afirmou que é o próprio Senhor quem escolhe: “‘Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi’. Cada um tem sua história, mas o Senhor escolhe pelo Batismo, colocando no coração de cada um a disposição de servir, levados a dizer o sim pela ação do Espírito Santo, e que depois a Igreja”, confirma.
“O Senhor é quem escolhe, e escolhe com generosidade, na sua inteira e intensa gratuidade. Ele escolheu vocês não pelos títulos acadêmicos, ou por ter vencido etapas dos estudos, mas por serem homens de Deus. Em seu amor, Ele vos escolheu e espera que vocês amem a Igreja e o povo a quem são enviados”.
O arcebispo lembrou ainda das situações em que grupos e leis querem se afastar de Deus. Onde muitos, até com poder de decisão, estão longe dos valores do Evangelho e não se preocupam com a vida e o bem das pessoas.
“Vocês foram escolhidos para serem testemunhas, a ter uma vida configurada com a de Cristo, a ser fermento no meio da massa. Vocês não são agentes de uma ONG, mas são homens de Deus e, por vocação, evangelizadores”, destacou.
Foi por causa da expansão da Igreja, lembrou o arcebispo, que os apóstolos escolheram os primeiros diáconos, homens de Deus, para servir as mesas. “Hoje, também há muitas necessidades. Em muitos locais e situações falta a presença da Igreja, principalmente junto com quem sofre ou em comunidades periféricas espalhadas por toda a grande metrópole”, disse.
“Vocês foram chamados e confirmados para ser um sinal, para tornar a Igreja presente através do serviço e da missão, a exercer a diaconia de uma Igreja samaritana. A evangelização tem consequências sociais. Não podemos passar ao largo das situações que afligem o povo, seja nas periferias existenciais, sociais e injustiças da sociedade que clamam ao céu”, frisou.
Não é uma “questão de proselitismo”, concluiu o arcebispo, mas “como consequência de vida e de identidade da Igreja. Seja qual for o regime politico ou a situação social, a Igreja é chamada a evangelizar, anunciar Jesus Cristo, se comprometendo com os irmãos”.
Tempo de colheita
“Não há dia mais feliz no exercício da missão de um formador que o dia de uma ordenação, seja ela diaconal ou sacerdotal”, disse o reitor do Seminário de São José, cônego Leandro Câmara.
“Além desse dia representar para todo sacerdote um dia de renovação da própria vocação, na vida de um formador em especial, é o dia da colheita. É o dia da ação de graças por todos os dons que o Senhor nos concedeu ao longo desta árdua e, ao mesmo tempo, tão bela missão de formar”, disse.
O reitor explicou que é um dia em que se colhem os frutos depois de um tempo de semeadura exigente, que supõe docilidade à ação de Deus, temor a Ele, esperança, constância e perseverança diante dos inúmeros desafios que um formador tem de enfrentar para tentar corresponder à missão que a Igreja lhe confia.
“Penso que se trata de uma alegria especial que possivelmente seja bastante próxima da alegria de um agricultor que ao longo da semeadura enfrenta dias de forte calor e dias de chuva, que se empenha na tarefa de trabalhar a terra, adubá-la, para que fértil receba as sementes lançadas com suor e esperança de que o dia da colheita irá chegar”, afirmou.
Cônego Leandro manifestou ainda sua alegria de ver cumprir a vontade de Deus na vida de cada um por meio da Igreja que, na pessoa do bispo, foi investida da graça de confirmar a vocação.
“Ver esse jovens comprometendo-se perpetuamente em serem por força e exigência da própria vida que abraçaram livremente, estes semeadores que irão mundo afora semear a palavra de Deus, manifestar a caridade pastoral de Jesus Cristo, mostrando desse modo o rosto de uma Igreja Samaritana conforme insistiu tanto o nosso cardeal na homilia”, destacou.
Confessando que está com o coração repleto de alegria, cônego Leandro recordou ainda que está reabastecido para trabalhar ainda mais em benefício desta causa: a formação de sacerdotes para a Igreja de Cristo.
“Agora é momento de fazer uma ‘leitura pascal’ de tudo o que os novos ordenandos viveram para chegar ao diaconato. Será confirmado que tudo teve seu sentido, tudo teve a sua importância, tudo os fez amadurecer para dar este passo definitivo”, concluiu.
Ordinandos e paróquias de origem
Escola Diaconal Santo Efrém (turma São João Damasceno)
Alcides Martins - Paróquia Santo Antônio dos Pobres (Centro)
Bernardo Rangel Tura - Paróquia Cristo Redentor (Laranjeiras)
Carlos Aury Dos Santos Silva - Paróquia Sant’Ana (Campo Grande) e Comunidade Católica Shalom
Cláudio Pereira Nunes - Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus (Campo Grande)
Custodio de Mello Gonçalves Junior - Paróquia São Francisco de Paula (Barra da Tijuca)
Henrique João Gonçalves - Paróquia Imaculada Conceição (Recreio dos Bandeirantes)
João Paulo Sequeira de Carvalho -Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus (Campo Grande)
Jorge Alex Cândido Da Cruz - Paróquia São Brás (Madureira)
José Benvindo Correia Vaz - Paróquia Nossa Senhora da Cabeça (Penha)
Leonardo Soares De Souza - Paróquia Divino Espírito Santo e São João Batista (Maracanã)
Luiz Gama Neto - Paróquia Sant´Ana (Campo Grande)
Marcelo Pulcherio Lima - Paróquia São Brás (Madureira)
Marco Aurélio Silva Azevedo - Paróquia Nossa Senhora de Fátima (Marechal Hermes)
Mário Okamoto Higashi - Paróquia Nossa Senhora da Cabeça (Penha)
Paulo Cesar Pereira Cravo - Paróquia Sagrado Coração de Jesus (Glória)
Roberto José dos Santos - Santuário Arquidiocesano de Santa Edwiges (São Cristóvão)
Seminário Arquidiocesano São José
Bruno Gomes Borba - Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe (Complexo do Alemão)
Bruno Vianna Citelli - Paróquia Anunciação a Nossa Senhora (Riachuelo)
Gabriel de Moraes Coelho - Paróquia São Sebastião do Indaiá (Petrópolis/RJ)
Jefry Roger Rivas Arancibia - Paróquia Nossa Senhora de Copacabana (Copacabana)
Marcelo Batista Salvador - Paróquia Nossa Senhora da Glória (Santa Cruz)
Rogério Pereira da Silva - Paróquia São Judas Tadeu (Bangu)
Rômulo Argento de Souza - Paróquia São Miguel Arcanjo (Colégio)
Tiago Luciano de Oliveira - Paróquia Nossa Senhora da Lapa (Senador Camará)
Fotos: Gustavo de Oliveira
Fotos: Gustavo de Oliveira
Nenhum comentário:
Postar um comentário