O Cine Odeon Petrobrás, na Cinelândia, recebeu a pré-estreia do filme “Homens e Deuses”, na noite da última quinta-feira, 14 de abril. Inspirado em fato real, com direção de Xavier Beauvois, o longa foi prestigiado pelo Arcebispo do Rio de Janeiro e presidente da Comissão Episcopal para a Cultura, Educação e Comunicação Social, Dom Orani João Tempesta e por muitos convidados. Com estreia nas telas do Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte, a partir desta sexta, dia 15, conquistou o Grande Prêmio do Júri do último Festival de Cannes, recebeu o César de melhor produção francesa de 2010, foi sucesso de bilheteria em seu país e tem sido recebido com entusiasmo no circuito internacional.
Para Dom Orani, o filme abre espaço para a reflexão pessoal sobre o chamado que Deus faz a cada um, também convocando ao testemunho.
— É um filme que retrata uma realidade e um fato histórico ocorrido, mostrando o diálogo dos cristãos com os muçulmanos, a guerra entre facções e, ao mesmo tempo, uma vida monástica que tem seu ritmo de oração, de trabalho. (...) Isso ajuda a testemunhar em nossa vida a nossa fé em Cristo, com as dificuldades, como foi com os monges, disse o Arcebispo.
A história retrata os anos 90, quando oito monges trapistas franceses vivem em um monastério nas montanhas argelinas, dedicados a um cotidiano voltado para orações e atividades ligadas à subsistência. Esses religiosos desenvolvem uma harmoniosa convivência com a população muçulmana local, compartilhando de suas dores e das pequenas celebrações. Na trama, fundamentalistas islâmicos assassinam um grupo de trabalhadores estrangeiros, fazendo, então, com que haja a quebra da harmonia. O Exército intervém, sem aliviar o clima de insegurança. E embora as autoridades locais aconselhem os monges a voltarem para casa, eles optam por permanecer fieis à missão que lhes foi confiada, apesar dos medos, fraquezas e aspirações pessoais. O serviço ao povo, à Igreja e a Deus passa a ter mais importância do que a própria vida: “Quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, esse a salvará.” (Lc 9,24)
Para o seminarista Sidney Guimarães, do Seminário São José, a mensagem do filme é bastante profunda, especialmente para aqueles que estão em tempo de formação.
— O mais importante desse filme é a união. Mesmo num momento de grande dificuldade eles permaneceram sempre juntos, mostraram ser fraternos, dividiram todas as dificuldades, as dores, e as fraquezas, comentou.
De acordo com o crítico de cinema Miguel Pereira, a narrativa é surpreendente em sua proposta.
— É um filme que vem no movimento contrário ao do cinema que adota a criatividade e a violência. Ele olha exatamente para a espiritualidade, para o sentimento humano mais profundo, para a paz, para o entendimento entre as pessoas, as raças, as nações. É um filme que traz não só uma mensagem, ele busca uma vida nova para todos nós. Acho que é um filme muito bem feito, muito bem realizado, avaliou.
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